Para Byung-Chul Han, um dos traços característicos da sociedade ocidental é a agonia de Eros. O eu narcísico tende a fazer dos outros um seu prolongamento e a esperar que o amor seja, antes de mais, algo de agradável. As raízes deste fenómeno mergulham na sociedade atual. A conceção neoliberal de liberdade manifesta-se sob o imperativo de que cada qual deve ser livre. Mas trata-se de uma liberdade paradoxal, pois é uma espécie de servidão voluntária em que cada um é o seu próprio empresário e trabalhador em busca de êxito. Desse modo, o neoliberalismo, com o seu encorajamento dos impulsos narcísicos do enriquecimento, gera uma sociedade de depressão e de cansaço. As fronteiras, as diferenças e as distâncias esbateram-se e já não estimulam a fantasia que engendra o outro, um dos elementos necessários ao Eros. O capitalismo elimina a alteridade para submeter tudo ao consumo e à exposição como mercadoria, intensificando o pornográfico. A experiência erótica tende a desaparecer. Para Han, a atual crise da arte e da literatura pode atribuir-se em grande parte a esta diluição do outro. Para o filósofo germano-coreano, só o amor é capaz de infletir a perspetiva do eu, de fazer surgir o mundo do ponto de vista do outro, da diferença.
Publication
2025
Pages
64
Format
Epub
Publisher
Relógio D'Água Editores
Excerpt
Translator
Miguel Serras Pereira
Collection
Antropos
There are no reviews for this book yet.