A ferida invisível de mulheres fortes
Endometriose grave, dois ovários comprometidos, intestino afetado. Indicação de cirurgia com risco real de menopausa precoce aos trinta e três anos, com dois filhos pequenos e um casamento que já não sustentava nada.
Sarita Rodrigues é médica endocrinologista e passou mais de uma década atendendo mulheres cujos exames não explicavam por completo o que elas sentiam. Levou anos para perceber que descrevia a si mesma: a mulher que sabia diagnosticar qualquer desequilíbrio hormonal e não reconhecia o próprio esgotamento.
Este livro parte de uma tese incômoda: a mulher forte que o mundo celebra costuma ser a que mais se abandona. Ela cuida de todos e se coloca por último, resolve tudo e não pede ajuda, funciona cansada e responde estou bem no automático. O elogio virou identidade, e a identidade virou prisão.
A leitura acontece em cinco fases. Primeiro nomear a ferida que não aparece em exame. Depois entender o preço de continuar no automático, e por que continuar dói mais do que reconstruir. Em seguida escutar o corpo como mensageiro, com capítulos sobre a guerra diária contra o espelho e sobre o que ninguém explica sobre emagrecimento. Depois encontrar propósito na própria dor. E por fim agir.
A parte final entrega ferramenta: o Método CONECTA e um plano para os primeiros 90 dias sem abandono de si, porque, como escreve a autora, inspiração sem sistema vira frustração. Cada capítulo termina com perguntas para escrever à mão.
Aqui há também o que a medicina não alcança: a fé que a sustentou, a epilepsia da infância que ensinou o corpo a falar antes da mente entender, o divórcio, a clínica que ela abriu. Para a mulher chamada de guerreira desde menina, que aprendeu a funcionar cansada e desconfia que existe outro jeito.
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