"Na amizade não cabe a obrigação nem o contrato, somente o desejo voluntário de estar junto."
Alguém que o autor jamais revelará quem é lhe disse que ele estava escrevendo este livro apenas para falar com seus amigos, e que sua ideia sobre a amizade era um tanto idealizada, porque na realidade ter um amigo seria, na maioria das vezes, apenas uma questão de circunstância utilitária. A frase ficou. E virou livro.
Vivemos cercados pela propaganda do amor romântico, com expectativas até muito exageradas, enquanto a amizade segue tratada como assunto menor, algo que acontece por acaso e se desfaz sem explicação. Poucos param para perguntar o que sustenta um amigo ao longo de uma vida, o que se perde quando essa presença falta e por que é tão difícil manter viva justamente a relação que ninguém é obrigado a manter.
Em Amizade entre a literatura e a realidade, Sandro Sousa enfrenta essa pergunta pelo caminho que conhece melhor: as histórias. Ele percorre a amizade em Dom Quixote, de Cervantes, em O Idiota, de Dostoiévski, na Sociedade do Anel de Tolkien, nas Crônicas de Nárnia e em Os Quatro Amores, de C. S. Lewis, na Ética a Nicômaco, de Aristóteles, no Diário Íntimo, de Amiel, e nas páginas bíblicas de Davi e Jônatas. Ao lado dessas leituras, coloca o que viu nas pessoas do próprio cotidiano.
O resultado não é um livro técnico nem um mar de citações. São percepções escritas de modo sincero e objetivo, aquelas que, nas palavras do autor, saíram de primeira tinta, sobre o nível mais profundo de amizade: aquele em que a alegria e a necessidade da presença do amigo se tornam a mesma coisa, em que há uma história real de envolvimento de quem partilha a vida. Não há norma de conduta, não há catequese.
São 80 páginas para ler em poucas horas e reler devagar, feitas para quem valoriza os amigos que tem e para presentear justamente aqueles que aparecem nessas linhas sem saber.
Leia, reconheça seus amigos nestas páginas e mande o livro para eles.
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