Historicamente, o parto tornou-se tecnocrático, intervencionista, hospitalar e exclusivamente médico. No Brasil, as taxas de cesáreas estão entre as maiores do mundo. Em países desenvolvidos, parir em Centros de Partos Normais com enfermeiros obstetras é corriqueiro, seguro e incorporado aos sistemas de saúde. A Rede Cegonha e a Classificação de Robson destacam-se entre as estratégias que estimulam a criação de Centros de Partos Normais, a assistência multiprofissional e a redução das taxas de cesáreas. Neste estudo, a Classificação de Robson foi correlacionada com as variáveis obstétricas, necessidade de intervenções, indicações de transferências e desfechos maternos e perinatais das pacientes assistidas em um centro de parto normal. Foram avaliados dados sociodemográficos, pré-natal, exames da admissão, assistência ao parto e recém-nascido, intercorrências e necessidade de remoção de 570 pacientes. Houve diferenças significativas entre os grupos da Classificação de Robson e as variáveis idade, escolaridade, atendimento ao protocolo institucional, uso de ocitocina no período expulsivo, lacerações e suturas perineais, posição da paciente no parto, peso ao nascer e necessidade de remoção intra e pós-parto. Portanto, o uso da Classificação de Robson nos Centros de Partos Normais prediz a necessidade de intervenções e transferências, evitando desfechos desfavoráveis, aumentando a segurança para usuárias e profissionais.
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