Como conhecer uma cidade? Não através do seu nome, principalmente quando este parece querer dizer tudo e, ao mesmo tempo, nada. Também não é pelos monumentos que se entende uma cidade: o concreto é um narrador mudo. Porém, tentar compreendê-la pelas particularidades de seus habitantes tampouco esclarece. Os indivíduos são muitos em um. Cidades são entidades vivas. Suas ruas são correntes sanguíneas; os cidadãos, células percorrendo o turbilhão urbano. Entretanto, nas fendas, infecções estão à espreita. As contaminações são, sobretudo, por desejo e medo. Ninguém está imune: somos feitos da mesma matéria que adoenta e sustenta Cidade. Cidade é contornável, mas nunca controlável. Cada esquina guarda um segredo; cada vão abriga o que resiste ao esquecimento. Cidade não descreve um lugar; revela uma condição.
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