Fruto da pesquisa desenvolvida durante o mestrado, este livro apresenta a investigação sobre os "ecos" do bucolismo que atravessam a poesia de Luís de Camões e de Cláudio Manuel da Costa. O estudo demonstra como a lírica renascentista e o Arcadismo luso-brasileiro dialogam por meio de uma herança clássica comum, ainda que o poeta quinhentista e o setecentista estejam distantes temporalmente. A partir das matrizes greco-latinas, sobretudo o mito da Idade de Ouro e suas ressonâncias, a obra analisa a retomada do ideal harmônico de vida pastoril com suas transformações e tensões na poesia dos dois artistas do verso. Com sólida base teórica e crítica, o estudo percorre as noções de bucolismo, Arcádia, locus amoenus e locus terribilis, além das relações de intertextualidade que aproximam Virgílio, Ovídio, Camões e Cláudio. Nesse sentido, a poesia claudiana, situada no contexto colonial mineiro, relê a tradição clássica e camoniana ressignificando os traços de melancolia, exílio e desconcerto, incorporados ao ideal arcádico de simplicidade e equilíbrio. A leitura analítica dos poemas revela que as imagens recorrentes como o vale, o monte, o rio e a figura da pastora Nise, constroem uma rede de sentidos em que o lirismo pastoril coabita com a inquietação existencial. Assim, a obra oferece uma leitura inovadora, referente à permanência do bucolismo na literatura luso-brasileira, de modo que ilumina a interface poética entre dois dos maiores nomes da tradição em língua portuguesa.
Publication
2026
Pages
284
Format
Paperback
Publisher
Editora Dialética
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