Como transformei a dor da perda em uma missão de cura para milhares de pessoas
Em 33 anos e mais de 240 mil atendimentos, uma constatação se repetiu: quem chega com dor na coluna carrega dois pesos.
Um aparece na ressonância. O outro, não. A mulher com dor cervical insuportável sustentava a família inteira sozinha. O executivo com hérnia de disco havia perdido o propósito depois da aposentadoria. O jovem com lombalgia crônica carregava um trauma de infância nunca tratado. Ricardo Miyamoto, cirurgião de coluna, escreveu este livro sobre as duas colunas que sustentam uma vida.
A parte técnica é generosa e traduzida para qualquer leitor: como a coluna funciona, o que são de fato os discos intervertebrais, por que a dor lombar lidera o ranking mundial de incapacidade desde 1990, e o que a neurociência mostra sobre dor física e dor emocional compartilhando as mesmas vias no cérebro.
Vem então a parte que interessa a quem convive com dor. Um capítulo sobre prevenção, com a estimativa do próprio autor de que cerca de 70% das cirurgias que realizou poderiam ter sido evitadas por hábitos simples. Um capítulo sobre quando a cirurgia é inegociável, com os sinais de alerta que não admitem espera. E um sobre por que ninguém melhora de verdade com um único profissional.
Há também o Brasil que não consegue se tratar: os números do acesso à ortopedia, o custo real de uma cirurgia de coluna e o modelo de atendimento popular que o autor criou e declara replicável.
Atravessando tudo, a história dele. Aos 11 anos, numa madrugada de novembro de 1975, perdeu o pai e a família passou de classe média a pobreza em poucas horas. Foi ali, diz ele, que sua coluna de vida começou a ser construída, vértebra por vértebra.
Para quem tem dor nas costas, para quem vai decidir sobre uma cirurgia e para quem carrega peso demais sozinho. Prefácio do Dr. Ricardo Kobayashi.
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