A jornada de transformação do técnico em agente de mudança
Uma segunda-feira, 18h30, Avenida Amazonas, Belo Horizonte. Ao lado, um ônibus lotado com gente pendurada na porta. Do outro, uma ambulância com a sirene ligada há quinze minutos sem andar um metro. Dentro do carro, um doutor em mobilidade urbana que sabia exatamente como resolver aquilo.
Guilherme Leiva é professor de Engenharia de Transportes e passou mais de vinte anos produzindo conhecimento que ficava em artigos e gavetas. Foi preciso a pandemia esvaziar as ruas e a morte do irmão mais velho para que ele fizesse a pergunta que abre este livro: se eu morrer amanhã, o que terei deixado?
O livro identifica três barreiras que mantêm profissionais qualificados na irrelevância. A primeira é pessoal, as frases de quem a gente ama que paralisam anos de sonho. A segunda é o deserto técnico, quando a apresentação impecável perde para a intuição de quem nunca leu uma linha sobre o assunto. A terceira é a falta de voz, e ele conta a vez em que tinha três minutos diante de vereadores e desperdiçou todos falando em microssimulação de tráfego.
Da metade em diante o livro vira caixa de ferramentas: os fundamentos de uma cidade viva, mobilidade completa e descarbonização, o desenho de ruas e edifícios que aproxima ou expulsa quem caminha, mecanismos de participação cidadã que quase ninguém usa, e como construir audiência digital para levar argumento técnico a quem decide.
Aqui mobilidade urbana não é assunto de ônibus, carro ou ciclovia. É tempo de vida: o pai que chega exausto e não brinca com o filho, a mãe que perde três horas por dia, as 1,35 milhão de pessoas que morrem por ano no trânsito mundial.
Para engenheiros, arquitetos, urbanistas, geógrafos, técnicos municipais, vereadores e cidadãos que se cansaram de ver a cidade piorar enquanto a solução dorme numa pasta.
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