O etnocídio na ditadura militar e a busca por uma reparação decolonial para os povos originários
O Brasil tem um passado que se recusa a passar. Sob o verniz do avanço desenvolvimentista promovido pelo Estado, esconde-se uma das páginas mais sombrias e silenciadas da nossa história: a dizimação sistemática dos povos originários patrocinada pelo próprio poder público. Nesta obra investigativa, revela-se como a política integracionista serviu de pretexto legal para um autêntico etnocídio e genocídio. Longe de serem incidentes isolados, as violências foram orquestradas institucionalmente. O livro traz à tona atrocidades que chocam pela crueldade oficial, documentando o uso de bombas contra os Waimiri-Atroari, o extermínio de comunidades Tapayuna com arsênico e a criação da Guarda Rural Indígena (GRIN), uma milícia étnica treinada para torturar. Mas a obra vai além da denúncia crua do passado. Ao analisar a mais longa e inacabada justiça de transição da América Latina, o texto demonstra de forma irrefutável que os quatro eixos tradicionais de reparação (memória, verdade, justiça e reformas institucionais) falham ao tentar abranger a realidade indígena, pois utilizam uma lente eurocêntrica, liberal e individualista. A inovação central da obra é a inclusão da Terra como o quinto e indispensável eixo de reparação. Sem a devolução e proteção dos territórios esbulhados, a justiça continuará sendo uma promessa vazia e colonial Uma leitura urgente, de tirar o fôlego, que prova que, para os povos originários, a luta pela vida, pelo território e pela memória ainda não terminou.
Publication
2026
Pages
360
Format
Paperback
Publisher
Editora Dialética
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