Ele largou o emprego, a família e a cidade onde nasceu para perseguir um sonho antigo: escrever um romance. Faltava só a história.
Recém-chegado a Porto Real, Mateus Soares mora sozinho em um apartamento pequeno, numa rua transversal à avenida dos bares e das boates. Numa noite de chuva fina, resolve sair para caminhar e esbarra em uma confusão de esquina: duas mulheres se agarram no meio de um grupo de curiosos. Ele separa a briga quase sem pensar e se vê segurando pelo braço uma moça de pele clara, cabelos negros desalinhados, ferimentos no rosto e a maquiagem forte borrada pelas lágrimas que escorrem dos grandes olhos negros. Essa imagem vai acompanhá-lo pelo resto da vida.
Cleo aceita o café, agradece o socorro e vai embora sem explicar nada. O que Mateus ainda não sabe é que a boa história que ele foi procurar na cidade grande já começou, e que ela não se escreve de longe. Para chegar ao fim dela, vai atravessar um hospital, uma acusação, uma cela e o luto de uma mãe do interior que reza diante da imagem de Nossa Senhora da Conceição pela filha que não voltou.
Lágrimas Negras é um romance brasileiro contemporâneo em vinte capítulos que junta drama familiar, mistério e retrato social. De um lado, a vida noturna de uma cidade grande, os bares, o metrô, a gente de todos os tipos. Do outro, o interior, a terra herdada, os irmãos, a avó e um menino que precisa reencontrar a própria família. No meio, um homem tímido de mais de cinquenta anos que queria apenas inspiração e acabou dentro do enredo.
Escrito por Luiz Aires e publicado pela Editora Kelps, de Goiânia, o livro chega com revisão do Professor Doutor Cristiano Araújo e concepção gráfica de capa de Luiz Eduardo Di Guimarães Porto Aires. É leitura direta, sem ornamento, mais interessada no que as pessoas fazem umas com as outras do que em efeito de estilo, e caminha para um desfecho de reconstrução: prisões que vêm, culpas que se acertam, casamentos, uma adoção a caminho e a certeza de Glória de que quem teve força para superar tamanha perda pode superar o que vier.
Comece pela primeira noite de chuva. Depois dela, fica difícil parar.
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