Na fazenda, quando íamos tomar banho no córrego, nos monturos de lama pisoteados pelos cascos dos cavalos, pousavam enxames de borboletas: o panapaná. Panapaná é o coletivo de borboleta. Uma nuvem interminável delas, geralmente amarelas, flamejantes. Sorvem os sais da lama do brejo, num desassossego próprio de seres que não se cansam. Formam uma onda, um caudal de pétalas, de espíritos viajantes. Esvoaçam como almas saídas de estranhas moradas.
Publication
2023
Pages
96
Format
Paperback
Publisher
Minotauro
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