corpo e novas materialidades no pensamento feminista contemporâneo
O Pecado da Carne aborda a questão de como reinserir a problemática da matéria nos atuais debates feministas sobre os corpos, de maneira a não sucumbir à concepção moderna de materialidade corporal como pura facticidade biológica, inerte e autossuficiente (posição que, tradicionalmente, fundamentou naturalismos e essencialismos antifeministas) e, simultaneamente, não capitular aos impulsos linguísticos totalizantes que marcam parte significativa dos construtivismos hoje dominantes na área. No âmago do argumento geral, que se desenvolve tendo como fio condutor um estudo empírico das vivências de mulheres com Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, reside uma tentativa de demonstrar que a modalidade de neomaterialismo proposta pela física e feminista estadunidense Karen Barad, nomeada de "realismo agencial", oferece à sociologia e aos estudos feministas promissoras ferramentas político-teóricas (e nos convida a pensar muitas outras) capazes de superar as contendas circulares entre construtivismos totalizantes e naturalismos reducionistas que atualmente marcam grande parte dos debates acerca dos corpos e das subjetividades. Fiel à "infidelidade disciplinar" que caracteriza o pensamento feminista desde a sua gênese, O Pecado da Carne articula contribuições de áreas como a teoria pós-estruturalista, a filosofia da ciência e os debates sobre os fundamentos da mecânica quântica, de modo a recolocar no horizonte dos estudos feministas e de gênero a dimensão política da matéria.
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