A obra que ora apresentamos analisa a publicidade comportamental que surge da Economia digital composta por elementos diversos como: tratamento de dados pessoais, conteúdo de anúncios, decisões automatizadas, estratégias de persuasão a envolver os denominados dark patterns. Analisa o tema instigante sob diversos aspectos jurídicos, notadamente quanto a Direito do Consumidor – como direito à informação, publicidade, vulnerabilidade – a Lei Geral de Proteção de Dados, a Constituição da República – direitos e garantias fundamentais – e o Código Civil. Demonstra que a regulamentação, em nosso país, não é suficiente, ao considerar a especificidade perigosa do ambiente digital que torna muito mais prejudiciais e intrusivas as técnicas de manipulação do consentimento e a insuficiente e deficiente informação. Enfatiza, de modo oportuno, a inequívoca personalização da publicidade algorítmica por meio da intensa manipulação do consentimento. Há muito nos preocupamos com a ofensa a direitos da personalidade com o advento da era tecnológica, que amesquinha e quase nulifica a intimidade, privacidade e identidade, entre outros bens violados. Tecnologia é bem-vinda, com equilíbrio dos direitos da pessoa, notadamente os da personalidade que muito se relacionam com os direitos fundamentais, com reflexos na responsabilidade civil cuja tendência é ser objetiva. Assim, a regulamentação específica é necessária, proposta com a qual concordamos, com o necessário equilíbrio. A autora propõe, como contribuição, um novo paradigma para a regulação da publicidade comportamental. Propõe, ainda, diretrizes normativas para regulação da publicidade comportamental, esclarecendo a necessidade de equilíbrio da regulamentação que não pode ser rígida a ponto de impedir a inovação, objetivo que não nos parecer fácil a ser alcançado, mas que deve ser sopesado em cada caso concreto. Ao enfatizar o inequívoco valor da obra que prefacio, indico-a para todos que se interessam pela "sociedade algorítmica, suas perplexidades e desafios, cumprimentando a autora por ter bem cumprido sua missão de contribuir para o desenvolvimento científico que se espera de uma tese de Doutorado, e não mera pesquisa com opiniões alheias. Obra corajosa, original, relevante e bem fundamentada. Merece ser lida. Trecho do prefácio de Silmara Juny de Abreu Chinellato. Trata-se de uma pesquisa densa, sofisticada e metodologicamente precisa, que evidencia aquilo que já se anunciava desde o início da formação acadêmica da autora: uma capacidade rara de articular teoria jurídica, análise crítica e sensibilidade ética diante das transformações profundas do mundo contemporâneo. Pessoas verdadeiramente brilhantes não se tornam brilhantes apenas ao final da caminhada; elas iluminam o próprio caminho – e esta obra é prova inequívoca dessa luminosidade precoce. O trabalho enfrenta um dos temas mais delicados e urgentes do nosso tempo: a erosão silenciosa da autonomia do consumidor em um ambiente digital estruturado pela extração massiva de dados, pelo perfilamento algorítmico e por arquiteturas de escolha cuidadosamente desenhadas para influenciar comportamentos. Trata-se de um cenário em que a liberdade se vê progressivamente condicionada, não por imposições visíveis, mas por mecanismos sutis, invisíveis e profundamente assimétricos. Com notável precisão conceitual, a autora demonstra que a publicidade comportamental não constitui mera atualização tecnológica da publicidade tradicional. Trata-se, ao contrário, de um fenômeno qualitativamente distinto, capaz de tensionar categorias clássicas do Direito Civil e do Direito do Consumidor, exigindo não apenas ajustes pontuais, mas uma revisão mais profunda de seus pressupostos normativos. Trecho do prefácio de Juliana Oliveira Domingues
Publication
2026
Pages
599
Format
Paperback
Publisher
Editora Foco
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